A menina que anda bêbada, tropeça;
Ela distribui presentes
Ela trepa na calçada e ouve vozes
De cores cintilantes que se acendem e se apagam,
Suas mensagens são Menages
E ela nunca ficará sozinha.
No lado mais sujo do quarto, ela terá uma garrafa de vinho
E um amante imaginário.
E se o desejo torna-se grande,
Ela trepa na calçada.
Ela ouve vozes.
E ela dança jazz como ninguém,
E chora e canta,
E ninguém cheira como ela;
Quando está sozinha sobre mim
Uma tarde, em que o sol nos fazia infelizes
Ela me encontrou
Em trajes operários
E me olhou como se eu a houvesse machucado.
Seu guarda-chuva aberto mostrava
Manchas de prazer e vontade.
Mas ela guarda seus segredos para a noite,
Guarda leveza, guarda chuvas espumantes em seu quarto.
E talvez com tantos cortes e arranhões
Espalhados pelo corpo, alguns duvidem
Da delicadeza desses movimentos noturnos.
Eu faria o mesmo se a mim agradassem os dias de sol,
Que não brilha tanto quanto o grito,
Voraz e melodioso,
Da garota que deita ao meu lado
E diz que à luz do sol, tudo é sombra,
E quando ela chora,
São lágrimas doces.
Ela possui o encanto das noites frias.
À noite é a hora da traição,
Deixo Selene de lado e durmo com ela,
A menina que anda bêbada e
Que trepou comigo na calçada, na saída do trabalho.
“Amanhã é um dia tão monótono,
Vamos nos deixar morrer hoje”.
E eu lhe digo que somos como flores
E que morreremos porque ninguém cuidará de nós
Quando deixarmos aquele quarto.
E assim eu me apaixono
Pela garota que anda bêbada, que tropeça,
Canta, dança e cheira,
Que trepou comigo na calçada e que
Não quer mais saber de mim.
O melhor que ela teve da vida,
Ela não guardou pra ela,
Tão bela que é, me quer sentindo o mesmo.
O melhor vinho ainda é aquele que não bebi,
E a melhor musica, foi a primeira que escutei.