quarta-feira, janeiro 17, 2007

Menina

A menina que anda bêbada, tropeça;

A menina que anda bêbada, tropeça;

Ela distribui presentes

Ela trepa na calçada e ouve vozes

De cores cintilantes que se acendem e se apagam,

Suas mensagens são Menages

E ela nunca ficará sozinha.


No lado mais sujo do quarto, ela terá uma garrafa de vinho

E um amante imaginário.

E se o desejo torna-se grande,

Ela trepa na calçada.

Ela ouve vozes.

E ela dança jazz como ninguém,

E chora e canta,

E ninguém cheira como ela;

Quando está sozinha sobre mim


Uma tarde, em que o sol nos fazia infelizes

Ela me encontrou

Em trajes operários

E me olhou como se eu a houvesse machucado.

Seu guarda-chuva aberto mostrava

Manchas de prazer e vontade.

Mas ela guarda seus segredos para a noite,

Guarda leveza, guarda chuvas espumantes em seu quarto.


E talvez com tantos cortes e arranhões

Espalhados pelo corpo, alguns duvidem

Da delicadeza desses movimentos noturnos.

Eu faria o mesmo se a mim agradassem os dias de sol,

Que não brilha tanto quanto o grito,

Voraz e melodioso,

Da garota que deita ao meu lado

E diz que à luz do sol, tudo é sombra,

E quando ela chora,

São lágrimas doces.

Ela possui o encanto das noites frias.


À noite é a hora da traição,

Deixo Selene de lado e durmo com ela,

A menina que anda bêbada e

Que trepou comigo na calçada, na saída do trabalho.

“Amanhã é um dia tão monótono,

Vamos nos deixar morrer hoje”.

E eu lhe digo que somos como flores

E que morreremos porque ninguém cuidará de nós

Quando deixarmos aquele quarto.

E assim eu me apaixono

Pela garota que anda bêbada, que tropeça,

Canta, dança e cheira,

Que trepou comigo na calçada e que

Não quer mais saber de mim.

O melhor que ela teve da vida,

Ela não guardou pra ela,

Tão bela que é, me quer sentindo o mesmo.


O melhor vinho ainda é aquele que não bebi,

E a melhor musica, foi a primeira que escutei.