terça-feira, outubro 23, 2007

A Estória de Diana (Uma fada ou uma estrela negra)

Ela nasceu quando os fragmentos de uma supernova caíram sobre a neve num canto esquecido do planeta e lá permaneceram durante anos, até a primavera finalmente chegar e com ela os odores da natureza e a musica do cosmos, ela já surgiu com a aparência que nós conhecemos e que encantaria a todos, ela aprendeu a dança que é executada há anos pelos planetas do sistema solar, sua cor é a cor da terra fresca pronta para ser fertilizada, ela aprendeu a caminhar pelo sonhar, e com isso se insinuava dentro dos sonhos dos amantes, e todo ser que faz amor, faz amor com ela, ela é o próprio sexo, e ela é inspiração para todos os que tocam a sublime fronteira do delírio e que nós chamamos de arte, todo pintor, quando desenha, está pintando seus traços, e todo poeta quando escreve, é seu corpo e sua mente que está exaltando, mesmo que não saiba disso, porque desde que nasceu ela sussurra nos ouvidos dos solitários que não sabem o que é amar, e cede seu corpo para eles em seus sonhos quando dormem, ela está ao lado dos casais que choram, mas ela não entende apenas do amor, ela já passeou por pesadelos sinistros, ela conhece a dor e a violência, e ela os aceita como parte essencial de uma vida larga e excitante, ela cede aos impulsos violentos e se sensibiliza (sem se entristecer) com o sangue que corre, e no momento em que você tem a arma em suas mãos apontada para sua cabeça e sua vontade hesita, ela despede-se de ti com um beijo e puxa o gatilho, ela ouve os apelos dos desesperados e dos que perdem a fé, ela esteve junto com terroristas suicidas no momento da ação e se, no meio da guerra, você chamar por ela, ela lutará a seu lado, se sua causa for sincera, ela vem da terra dos desejos, onde a vida merece ser vivida em toda sua intensidade, foi o Instinto Soberano quem lhe disse isso e ela respeita esse seu velho amigo, como todas as fadas, ela também visita o inferno freqüentemente, e constrói seus castelos de prazer a partir dos pedaços de lixo que sobram para os sonhadores e ela sente-se feliz por isso, por poder compartilhar a dança dos dias com esses sonhadores e dar-lhes um motivo para seguir seus destinos trágicos e brilhantes, Diana encontrou Lázaro após sua temporada no inferno e dedicou-se a tentar entender as lágrimas desta criança, tanto conheceu o motivo de suas dores e a origem de seu prazer que caiu de paixão por ele, e mais uma vez esteve ele às voltas com o amor; Mas fadas são sonhos, e, como eles, existem para morrer quando abrem-se os olhos.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Despedida

Olhou para o homem deitado ao seu lado e uma lágrima desceu-lhe pela face tão instantaneamente que a moça surpreendeu-se. Então, dispôs-se a acariciar aquela face que o sono levava para um lugar muito distante. Sussurrou no ouvido do homem algumas palavras, “vou te abandonar”, ele moveu-se como quem quer se aconchegar e ela permaneceu parada, olhando para a imagem que se lembrava ser a que mais amou. Não entendia direito o que estava fazendo. No chão, ao lado da cama, a pequena mala contendo apenas suas coisas mais essenciais a esperava se despedir. Sentindo que dentro de si alguma coisa transbordava ininterruptamente, ela beijou aqueles lábios imóveis. Seus olhos deixavam escorrer gotas imensas de lágrimas, uma de cada vez. Suas pálpebras enchiam-se e quando o peso da gota já não era contível, os cílios em um movimento brusco empurravam para fora de uma só vez. O homem desacordado pousou a mão em sua perna e ela estremeceu. Sentiu que seu corpo deseja incansavelmente aquela mão. Mas nada adiantava, fora ali para se despedir, não o acordaria, não poderia fazê-lo com ele acordado, ela jamais seria capaz de dizer-lhe adeus enquanto ele a ouvisse atento. Olhou para sua mala que parecia impaciente a esperá-la em sua despedida, depois olhou novamente para o homem, e beijando-lhe no rosto fez uma promessa bem perto de seu ouvido: “nunca mais sentirei ciúmes”. A moça estava profundamente triste porque estava se despedindo. Mentalmente ela se submetia a sensação de saber que aquela era a última vez que via a seu lado o seu grande amor, dormindo calmo e tranqüilo enquanto ela guerreava dentro de si porque ela o amava e ele não entendia o que significava esse amor. Então se levantou e saiu pela porta, trancou e jogou a chave pela janela. Tomou um ônibus e nunca mais viu seu homem.