Se cada noite envolve o dia,
cada dia desvirgina cada noite,
O sorriso engole minha tristeza
minha tristeza se perde
na obscura solidão de tua boca.
sábado, novembro 01, 2008
domingo, julho 06, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
quarta-feira, junho 18, 2008
Cegos
Salvação!
Aleluia! Aleluia!
Minhas ovelhas
Sejam boas, caridosas
Sejam os guardiões do intelecto humano.
Salvação, salvação!
Anjos, Santos e Deus,
Esse é o caminho a percorrer!
Ovelhas sigam-me como um rebanho!
Sou seu pastor e nada vos faltará!
Amém, Amém, Amém...
Somos seres sem pecados,
Somos iluminados!
Ao céu iremos pela estrada de ouro!
Podres, pobres de alma
São apenas um rebanho a caminho do abate
São ovelhas ignorantes a pastar!
Cegam-se á não observar os horrores,
Os horrores cujas ovelhas, bestas do apocalipse
Propõe a humanidade.
Essa é a salvação?
Fecha os olhos para o mal?
Criar o bem e mal?
Criar um ser único como replicas?
Vamos para as alturas
Observar, construir, amadurecer
Nunca criar conceitos, pré-conceito.
A salvação da humanidade
Será apenas a libertação das almas,
Das ovelhas a seguirem seus próprios caminhos
Há pensarem o que desejarem
A construir sem vaidade
Suplico, esqueçam a fé cristã!
Aleluia! Aleluia!
Minhas ovelhas
Sejam boas, caridosas
Sejam os guardiões do intelecto humano.
Salvação, salvação!
Anjos, Santos e Deus,
Esse é o caminho a percorrer!
Ovelhas sigam-me como um rebanho!
Sou seu pastor e nada vos faltará!
Amém, Amém, Amém...
Somos seres sem pecados,
Somos iluminados!
Ao céu iremos pela estrada de ouro!
Podres, pobres de alma
São apenas um rebanho a caminho do abate
São ovelhas ignorantes a pastar!
Cegam-se á não observar os horrores,
Os horrores cujas ovelhas, bestas do apocalipse
Propõe a humanidade.
Essa é a salvação?
Fecha os olhos para o mal?
Criar o bem e mal?
Criar um ser único como replicas?
Vamos para as alturas
Observar, construir, amadurecer
Nunca criar conceitos, pré-conceito.
A salvação da humanidade
Será apenas a libertação das almas,
Das ovelhas a seguirem seus próprios caminhos
Há pensarem o que desejarem
A construir sem vaidade
Suplico, esqueçam a fé cristã!
sexta-feira, junho 06, 2008
Mulher
Mulher
És musa de poetas, pecado, perdição
Alucinação em noites de solidão
Noites, eternas noites a perder-se
E encontrar-se.
Mulher
Que me traga como um mar em ressaca
Como a devassa meretriz que se entrega aos carinhos,
Que entorpece meu ser em seu suor tragado
Por minhas narinas, sugados em minha língua.
Mulher
És bela sim!
Dança como uma serpente a hipnotizar meu ser
Com tal delicia de uma fruta não conhecida
Provada, degustada e jamais esquecida.
Mulher
És irrelevante tua beleza
Seu próprio ser, pertence a leveza humana
Propaga todos os sentimentos
Angústia, ódio, desejo, gozo.
Mulher
Apenas seja o que és
Não existe questão física
O único desejo que procura um pobre poeta
É de mergulhar em seu infinito mar de sensações.
És musa de poetas, pecado, perdição
Alucinação em noites de solidão
Noites, eternas noites a perder-se
E encontrar-se.
Mulher
Que me traga como um mar em ressaca
Como a devassa meretriz que se entrega aos carinhos,
Que entorpece meu ser em seu suor tragado
Por minhas narinas, sugados em minha língua.
Mulher
És bela sim!
Dança como uma serpente a hipnotizar meu ser
Com tal delicia de uma fruta não conhecida
Provada, degustada e jamais esquecida.
Mulher
És irrelevante tua beleza
Seu próprio ser, pertence a leveza humana
Propaga todos os sentimentos
Angústia, ódio, desejo, gozo.
Mulher
Apenas seja o que és
Não existe questão física
O único desejo que procura um pobre poeta
É de mergulhar em seu infinito mar de sensações.
Me dê um sorriso
Olhe para mim e dê um sorriso!
Um leve sorriso cuja a imagem sempre é capturada por minha mente
Olhe para mim e dê um sorriso !
apaixonado, apavorado cujo olhar me trague por dentro de ti aprisionando-me
Olhe para mim e dê um sorriso !
apenas este matinal sorriso cuja vida traz luz aos meus olhos
Olhe para mim e dê um sorriso!
Aquele das noites eternas onde nos perdemos exaustos a dormir
Quero um sorriso, teu olhar
Para largar a saudade à distância.
Michel Gomes Costa
Um leve sorriso cuja a imagem sempre é capturada por minha mente
Olhe para mim e dê um sorriso !
apaixonado, apavorado cujo olhar me trague por dentro de ti aprisionando-me
Olhe para mim e dê um sorriso !
apenas este matinal sorriso cuja vida traz luz aos meus olhos
Olhe para mim e dê um sorriso!
Aquele das noites eternas onde nos perdemos exaustos a dormir
Quero um sorriso, teu olhar
Para largar a saudade à distância.
Michel Gomes Costa
Saciando a fome dos corpos
Quando ao normal se tornarem os batimentos cardíacos
Quando ao cessar dos beijos, das carícias e todas as mordidas
Quando as pálpebras retornarem, junto aos calores do corpo
È normal que uma fome venha com a intensidade de um gozo
E então, para o mimo da mulher amada, é preciso se aventurar
Em meios a panelas, temperos e uma boa massa a ser preparada
Não te preocupes! É simples saciar a fome dos corpos
Apenas é importante ter um espaguete, não se apegue a marcas
Pois o que é preciso é elaborar o gozo do paladar
Bastante alho- uma cabeça se possível- bem picadinho
Também é muito importante
Tenha sempre em casa um pouco de tomates secos
Manjericão, palmito e uma carne pronta a ser fatiada em bem pequenos pedaços
Uma grande panela é muito importante, com bastante água a ser posta no fogo alto
Então comece a picar os ingredientes: o alho, o tomate seco, o palmito, a carne E a retirar pétalas de manjericão
Que são como o frescor da pele de uma fêmea feliz
Quando ao término deste ritual, provavelmente a água estará a ferver
Como ferveu o sangue nos corpos após o colapso de sensações
Que provocaram suas fomes
Coloque o espaguete. Não os quebrem, apenas junte-os
No centro do ferver da água, como um pênis na vagina morna
E os deixem espalhar, como os corpos se espalham por toda área
Em outra panela junte o azeite em fogo baixo ao alho
Para que os aromas sejam dos corpos a se tocarem
Veja a consistência do espaguete que deve ser
O de uma leve mordidinha no clitóris, e por isso o chamamos de al'dente
Escorra a água, unte uma frigideira com margarina
Frite os pacinhos da carne até que se tenha a consistência dos grades lábios genitais
E neste momento junte à carne o tomate seco, o palmito e, se possível, um pouquinho de açafrão
Então o sândalo se espalha pela casa
Adicione o espaguete a essa mistura de ardentes corpos
Junte o alho com o azeite sobre a massa e, por fim
As pétalas de manjericão que possuem o formato dos pequenos lábios
Prove o sal, não mais que o suor dela é o suficiente
Surpreenda-a com um bom vinho
Vinho esse que procura se livrar de sua prisão
Invadir todas as papilas gustativas de nossas línguas
Encantar-nos e embriagar-nos, felizes
E sinta os orgasmos novamente, teu e de tua parceira.
Michel Gomes Costa
Quando ao cessar dos beijos, das carícias e todas as mordidas
Quando as pálpebras retornarem, junto aos calores do corpo
È normal que uma fome venha com a intensidade de um gozo
E então, para o mimo da mulher amada, é preciso se aventurar
Em meios a panelas, temperos e uma boa massa a ser preparada
Não te preocupes! É simples saciar a fome dos corpos
Apenas é importante ter um espaguete, não se apegue a marcas
Pois o que é preciso é elaborar o gozo do paladar
Bastante alho- uma cabeça se possível- bem picadinho
Também é muito importante
Tenha sempre em casa um pouco de tomates secos
Manjericão, palmito e uma carne pronta a ser fatiada em bem pequenos pedaços
Uma grande panela é muito importante, com bastante água a ser posta no fogo alto
Então comece a picar os ingredientes: o alho, o tomate seco, o palmito, a carne E a retirar pétalas de manjericão
Que são como o frescor da pele de uma fêmea feliz
Quando ao término deste ritual, provavelmente a água estará a ferver
Como ferveu o sangue nos corpos após o colapso de sensações
Que provocaram suas fomes
Coloque o espaguete. Não os quebrem, apenas junte-os
No centro do ferver da água, como um pênis na vagina morna
E os deixem espalhar, como os corpos se espalham por toda área
Em outra panela junte o azeite em fogo baixo ao alho
Para que os aromas sejam dos corpos a se tocarem
Veja a consistência do espaguete que deve ser
O de uma leve mordidinha no clitóris, e por isso o chamamos de al'dente
Escorra a água, unte uma frigideira com margarina
Frite os pacinhos da carne até que se tenha a consistência dos grades lábios genitais
E neste momento junte à carne o tomate seco, o palmito e, se possível, um pouquinho de açafrão
Então o sândalo se espalha pela casa
Adicione o espaguete a essa mistura de ardentes corpos
Junte o alho com o azeite sobre a massa e, por fim
As pétalas de manjericão que possuem o formato dos pequenos lábios
Prove o sal, não mais que o suor dela é o suficiente
Surpreenda-a com um bom vinho
Vinho esse que procura se livrar de sua prisão
Invadir todas as papilas gustativas de nossas línguas
Encantar-nos e embriagar-nos, felizes
E sinta os orgasmos novamente, teu e de tua parceira.
Michel Gomes Costa
sexta-feira, maio 02, 2008
Os Mundos de Gelo
Silêncio, Silêncio e, de novo, o Silêncio.
Silêncio em sua forma profana,
Silêncio, e depois marcas em um tom cinza alucinado,
Marcas que passam, asas cinzas,
Percorrendo distâncias inescrutáveis no silêncio,
Distâncias estas que fazem os olhos
Deslizarem, saltarem
E buscarem a velocidade da luz para acompanharem
Os pássaros cinzas do Vazio, e então vem o Silêncio
Em sua pose demoníaca,
E os olhos já não mais enxergam
Pois não podem olhar dentro do vazio,
Então é ele, o Vazio,
Quem nos espreita em sua solidão
Mascarando-se de imagem perfeita.
Mas é Vazio, Vazio e Silêncio,
Vazios silenciosos que se espalham;
Na iminência de um orgasmo silencioso,
A sombra branca nos chama,
Seu frio é capaz de assombrar o nosso frágil coração,
Então são esses os mundos de gelo,
Espaços de silêncio e frio, inabitados,
Preenchidos pelo Vazio na forma que damos a ele,
Um rosto ou corpos nus e ardentes,
Seja o que for que pintem nesta tela,É doloroso descrever a paisagem desolada de um espelho.
Silêncio em sua forma profana,
Silêncio, e depois marcas em um tom cinza alucinado,
Marcas que passam, asas cinzas,
Percorrendo distâncias inescrutáveis no silêncio,
Distâncias estas que fazem os olhos
Deslizarem, saltarem
E buscarem a velocidade da luz para acompanharem
Os pássaros cinzas do Vazio, e então vem o Silêncio
Em sua pose demoníaca,
E os olhos já não mais enxergam
Pois não podem olhar dentro do vazio,
Então é ele, o Vazio,
Quem nos espreita em sua solidão
Mascarando-se de imagem perfeita.
Mas é Vazio, Vazio e Silêncio,
Vazios silenciosos que se espalham;
Na iminência de um orgasmo silencioso,
A sombra branca nos chama,
Seu frio é capaz de assombrar o nosso frágil coração,
Então são esses os mundos de gelo,
Espaços de silêncio e frio, inabitados,
Preenchidos pelo Vazio na forma que damos a ele,
Um rosto ou corpos nus e ardentes,
Seja o que for que pintem nesta tela,É doloroso descrever a paisagem desolada de um espelho.
quarta-feira, março 05, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
A Ilusão de Alice
Enquanto caminhava suspendeu a gola da camisa para que o frio não provocasse algum mal para a garganta. Ao suspender a gola lembrou-se de uma personagem que conhecera em um livro, e sentiu-se como ela. Sentiu um luxo radioso crescendo dentro de si. Seu cabelo era preto, tão preto quanto sua camisa. Ela sentiu-se muito bela, e decidida a usufruir de sua contemplação a si mesma, desistiu de seu caminho e foi para um bar, queria beber gim.
Não estava a procura de companhia, queria de verdade se ver ali, bela e sozinha, com sua dose diminuindo lentamente de seu copo até restar apenas gelo e limão. Contudo, como para encontrar alguém basta estar sozinha, um rapaz passou por sua mesa e ela não conteve e olhou para ele, estava decidida a não olhar para ninguém, a viver apenas sua vaidade naquele bar. Entretanto o rapaz que passou tinha cabelos bagunçados, barba por fazer e usava óculos. Ela olhou-o e ele estava esperando por este olhar para dizer alguma coisa. Trêmulo de ansiedade o rapaz conseguiu falar: “É gim, a muito tempo não tomo gim”. Ela levantou o copo num gesto glamuroso e bem sucedido oferecendo o drink. Ele sentou-se o começaram a conversar.
Enquanto ele falava Alice o observava. Sim, ele era perfeito, um rapaz não muito forte, não muito belo, não muito exaltado nem quieto demais. De voz grave e suave, vestindo uma camisa listrada e bebendo gim. Ela virava-se para ele transparecendo no olhar admiração e encanto.
Falaram pouco, sobre poucas coisas. Paravam de falar simultaneamente para ouvir a música que tocava, eles estavam em sintonia. Quando ela levantava seu copo para beber mais, ele também o fazia. Quando ela queria o silêncio para contemplar alguma cor, ele também silenciava.http://www.ncd.ufes.br/ncd/
A terceira dose acabou rápido e Alice estava disposta a beber um quarto drink. Disse ao rapaz que solicitasse outras duas doses enquanto ela usava o banheiro. Pediu licença, como moça educada que é, e saiu. Olhou-se no espelho e não acreditou, pensou que estava tudo perfeito: “Então existe mesmo o destino, o velho sábio com seu livro na mão sabia que eu estaria aqui hoje, sabia que ele foi feito para mim e o trouxe até este bar”. Alice estava encantada com o rapaz.
Quando voltou viu a mesa vazia com apenas um copo em cima. “Onde fora o moço de voz agradável?”. Sentou-se meio confusa, um pouco tonta. Perguntou ao garçom se não fora solicitado para sua mesa nenhuma outra dose e o garçom disse que não, ninguém pediu mais nada.
Alice esperou, talvez ele tivesse ido ao banheiro também, talvez tivesse que ir a outro bar comprar cigarros da sua marca favorita. Esperou. Quis beber o resto de gim do copo, mas já era apenas água de gelo derretido. Pensou em pedir outra dose, mas não, esperaria por ele.
A noite se prolongara e as pessoas começavam a ir embora. Poucos permaneciam. Olhou a sua volta a procura dele, mas não o viu, contudo percebeu que os garçons, já sem muitos a servir, cochichavam e olhavam em sua direção. Estavam falando dela? Só podia ser. Olhou para o outro lado irritada, “isso sempre acontece, estão sempre falando de mim”...
Cansada de esperar pediu ao mesmo garçom que a atendeu desde que sentou ali que lhe trouxesse a conta, que somasse as doses de gim que o rapaz também tomara, ela pagaria tudo. O garçom olhou para ela com ar de espanto e disse que ela só pedira uma dose, que não tinha mais nada para pagar. Alice não entendeu. Pensou que o rapaz que estava sentado ao seu lado pudesse ter pago a conta, talvez tivesse que sair rapidamente, então pagou a conta dos dois, “mas por que deixara uma dose para pagar?”. Chamou o garçom de novo, este já vinha com a conta na mão: “Alguém pagou o que bebi?” “Não dona, a senhora só bebeu uma dose de gim a noite inteira”.
Alice pagou e foi embora correndo e assustada.
Esta é uma pequena história de alguém que precisou criar uma mentira para amar. Alguém que o faz constantemente, que não respira o mero ar carregado de minério, mas que respira gotas de cristal que inventa em sua mente, a quem a vida agride mais, com seu itinerário exato e impossível. É uma pequena narrativa sobre aqueles que não nasceram para este mundo, mas que nasceram para viver o que eles mesmos idealizam. São pequenos seres fantásticos que caminham ao lado dos normais, às vezes nunca descobertos. Entretanto, às vezes esses humildes, mas imensos seres são desvendados e seus castelos destruídos por frustrados realistas. Talvez àqueles insensíveis demais consigam mal dizer pessoas como esta, mas quem descobre o que significa “viver” e compreende que depois desta descoberta você nada mais faz que sobreviver vai perdoá-los.
Nota: Eu não pretendia manifestar minhas inspirações, tive medo de ofender de alguma forma, mas mesmo sem dizer, ela percebeu e entendeu que eu a observo e percebo muito bem. Sim Thalita, é você!
Não estava a procura de companhia, queria de verdade se ver ali, bela e sozinha, com sua dose diminuindo lentamente de seu copo até restar apenas gelo e limão. Contudo, como para encontrar alguém basta estar sozinha, um rapaz passou por sua mesa e ela não conteve e olhou para ele, estava decidida a não olhar para ninguém, a viver apenas sua vaidade naquele bar. Entretanto o rapaz que passou tinha cabelos bagunçados, barba por fazer e usava óculos. Ela olhou-o e ele estava esperando por este olhar para dizer alguma coisa. Trêmulo de ansiedade o rapaz conseguiu falar: “É gim, a muito tempo não tomo gim”. Ela levantou o copo num gesto glamuroso e bem sucedido oferecendo o drink. Ele sentou-se o começaram a conversar.
Enquanto ele falava Alice o observava. Sim, ele era perfeito, um rapaz não muito forte, não muito belo, não muito exaltado nem quieto demais. De voz grave e suave, vestindo uma camisa listrada e bebendo gim. Ela virava-se para ele transparecendo no olhar admiração e encanto.
Falaram pouco, sobre poucas coisas. Paravam de falar simultaneamente para ouvir a música que tocava, eles estavam em sintonia. Quando ela levantava seu copo para beber mais, ele também o fazia. Quando ela queria o silêncio para contemplar alguma cor, ele também silenciava.http://www.ncd.ufes.br/ncd/
A terceira dose acabou rápido e Alice estava disposta a beber um quarto drink. Disse ao rapaz que solicitasse outras duas doses enquanto ela usava o banheiro. Pediu licença, como moça educada que é, e saiu. Olhou-se no espelho e não acreditou, pensou que estava tudo perfeito: “Então existe mesmo o destino, o velho sábio com seu livro na mão sabia que eu estaria aqui hoje, sabia que ele foi feito para mim e o trouxe até este bar”. Alice estava encantada com o rapaz.
Quando voltou viu a mesa vazia com apenas um copo em cima. “Onde fora o moço de voz agradável?”. Sentou-se meio confusa, um pouco tonta. Perguntou ao garçom se não fora solicitado para sua mesa nenhuma outra dose e o garçom disse que não, ninguém pediu mais nada.
Alice esperou, talvez ele tivesse ido ao banheiro também, talvez tivesse que ir a outro bar comprar cigarros da sua marca favorita. Esperou. Quis beber o resto de gim do copo, mas já era apenas água de gelo derretido. Pensou em pedir outra dose, mas não, esperaria por ele.
A noite se prolongara e as pessoas começavam a ir embora. Poucos permaneciam. Olhou a sua volta a procura dele, mas não o viu, contudo percebeu que os garçons, já sem muitos a servir, cochichavam e olhavam em sua direção. Estavam falando dela? Só podia ser. Olhou para o outro lado irritada, “isso sempre acontece, estão sempre falando de mim”...
Cansada de esperar pediu ao mesmo garçom que a atendeu desde que sentou ali que lhe trouxesse a conta, que somasse as doses de gim que o rapaz também tomara, ela pagaria tudo. O garçom olhou para ela com ar de espanto e disse que ela só pedira uma dose, que não tinha mais nada para pagar. Alice não entendeu. Pensou que o rapaz que estava sentado ao seu lado pudesse ter pago a conta, talvez tivesse que sair rapidamente, então pagou a conta dos dois, “mas por que deixara uma dose para pagar?”. Chamou o garçom de novo, este já vinha com a conta na mão: “Alguém pagou o que bebi?” “Não dona, a senhora só bebeu uma dose de gim a noite inteira”.
Alice pagou e foi embora correndo e assustada.
Esta é uma pequena história de alguém que precisou criar uma mentira para amar. Alguém que o faz constantemente, que não respira o mero ar carregado de minério, mas que respira gotas de cristal que inventa em sua mente, a quem a vida agride mais, com seu itinerário exato e impossível. É uma pequena narrativa sobre aqueles que não nasceram para este mundo, mas que nasceram para viver o que eles mesmos idealizam. São pequenos seres fantásticos que caminham ao lado dos normais, às vezes nunca descobertos. Entretanto, às vezes esses humildes, mas imensos seres são desvendados e seus castelos destruídos por frustrados realistas. Talvez àqueles insensíveis demais consigam mal dizer pessoas como esta, mas quem descobre o que significa “viver” e compreende que depois desta descoberta você nada mais faz que sobreviver vai perdoá-los.
Nota: Eu não pretendia manifestar minhas inspirações, tive medo de ofender de alguma forma, mas mesmo sem dizer, ela percebeu e entendeu que eu a observo e percebo muito bem. Sim Thalita, é você!
domingo, janeiro 13, 2008
Natal com i
neve
leve
na beleza
grave
feliz o pranto
sua vida em várias
se fez
refém
reclama
chora
chama
tudo pede sua voz
leve
na beleza
grave
feliz o pranto
sua vida em várias
se fez
refém
reclama
chora
chama
tudo pede sua voz
terça-feira, janeiro 08, 2008
VITÓRIA
Por todos os mundos que eu viajar em minha vida,
Sempre me lembrarei de Vitória.
Vitória suja, mesquinha e provinciana,
Vitória castigando seus filhos boêmios;
Vitória me pedindo pra ficar por mais dez anos
Tão iluminada, e nada para se ver,
Ilha-prisão, pó de minério,Oh!
Minha Alcatraz! Tenho medo de suas mãos nojentas.
Da água contaminada que escorre da Pedra Azul
Eu bebi galões inteiros,
E agora sei que aqueles vermes não eram uma alucinação.
Vitória, é muito difícil para mim
Conseguir sexo em suas ruas e eu não tenho dinheiro algum.
Gastei meu ultimo real naquela noite
Em que você me deixou na rua às 3 da manhã.
Vadiando na lama, minha camisa cheirando à esgoto.
Agora, dou-te lirismo puro:
Vitória,
Meus dedos delicados de querubim
Uma vez tocaram sua terra úmida
No local onde anjos negros foram enterrados,
Seus mortos são meus mortos
E eu delicadamente imploro
Que você os deixe beijar-me nos olhos
Para que sua memória fique em mim
Como uma marca de batom cinza-escuro
E desapareça aos poucos como a paixão em meu corpo.
Vitória,
Eu te deixo esses versos, mas eu não te amo.
Nos meus sonhos, tu és uma víbora
Que me ameaça com um veneno doloroso;
Em meus sonhos,
Vitória,
Você afunda no oceano fecal que começa em Camburí.
Sempre me lembrarei de Vitória.
Vitória suja, mesquinha e provinciana,
Vitória castigando seus filhos boêmios;
Vitória me pedindo pra ficar por mais dez anos
Tão iluminada, e nada para se ver,
Ilha-prisão, pó de minério,Oh!
Minha Alcatraz! Tenho medo de suas mãos nojentas.
Da água contaminada que escorre da Pedra Azul
Eu bebi galões inteiros,
E agora sei que aqueles vermes não eram uma alucinação.
Vitória, é muito difícil para mim
Conseguir sexo em suas ruas e eu não tenho dinheiro algum.
Gastei meu ultimo real naquela noite
Em que você me deixou na rua às 3 da manhã.
Vadiando na lama, minha camisa cheirando à esgoto.
Agora, dou-te lirismo puro:
Vitória,
Meus dedos delicados de querubim
Uma vez tocaram sua terra úmida
No local onde anjos negros foram enterrados,
Seus mortos são meus mortos
E eu delicadamente imploro
Que você os deixe beijar-me nos olhos
Para que sua memória fique em mim
Como uma marca de batom cinza-escuro
E desapareça aos poucos como a paixão em meu corpo.
Vitória,
Eu te deixo esses versos, mas eu não te amo.
Nos meus sonhos, tu és uma víbora
Que me ameaça com um veneno doloroso;
Em meus sonhos,
Vitória,
Você afunda no oceano fecal que começa em Camburí.
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