Essa terça parte. esse vestígio. Esse piolho que gruda. A de óculos. A que triste não percebe seu próprio sorriso refletindo a miséria que a consome .A que fica quieta quando gritam seu nome e que abana o rabinho quando ele vira a cara.
Você perguntou quem sou eu? Sou essa impressão sem nexo ora com vontade ora sem nenhuma, de se fazer compreendida.
Não queria me esquivar diante de minha imagem e criação, do ser ficcional que crio e modifico a cada dia...
O espelho que nada reflete. O corpo não pode existir se todo o resto padeceu.
Desculpe-me se pareço indiferente ao narrar essa história sem fatos, mas é que essa sou eu sem vida.
Thalita Covre
sexta-feira, maio 25, 2007
domingo, maio 13, 2007
Dia das Mães
Agora que estava deitada esperando que alguém lhe trouxesse algo para mastigar, pensava nas crianças brincando embaixo do pé de goiaba.
Já era tarde, quase escurecendo. Um sentimento profundo surgiu no momento que lembrou que era dia das mães. A tristeza era mais por ter passado o dia inteiro sem ter a menor ideia disso. Esquecera completamente. Não que isso tivesse algum dia importância, nunca suas crianças ligavam , nem mesmo ela se importava. A não ser quando a data precisou ser festejada. Isso deve ter acontecido uns dois anos antes dos meninos se misturarem com o mundo. Não percebeu ela o verdadeiro significado daqueles presentes caros comprados com o próprio dinheiro dos rebentos. Se limitou a ficar orgulhosa de sua criação ou a admirar os badulaques. Mas devem mesmo ter sido caros, pensava ela agora se sentido idiota por sua ingenuidade.
As viagens, as pressas do dia a dia, as conversas em que levava a serio os conselhos de seres tão pequenos. Tudo é tão importante quando isso não é percebido.
Guardava até poucos anos antes no canto da sala os brinquedos antigos. As vezes sem perceber arrumava-os quase como se quisesse brigar por tamanha arrumação.
Pensou que poderia chorar com essas lembranças, mas fora interrompida pela empregada com sua sopa rala e o pão duro. O jantar combinava com suas distrações de lembrar e extrair tristeza do melhor de sua vida. Sendo essa lucidez a mas cruel que restava.
Ser mãe era o melhor que tinha feito . Nem os amores perdidos, nem a profissão brilhante que se desfez em poucas tentativas. Qualquer coisa não fariam ela estar pensando a cada colher de sopa com o pão mordido. Poderia agora chorar. Mas ninguém veria. E ela sabia como era difícil de engolir quando chorava, e não poderia desperdiçar seu apetite fraco e a pouca chance dele coincidir com os horários das refeições.
Que felicidade poder lamentar pela falta de algo. A tristeza de não ter mais era a grandeza que precisava para terminar a comida com um quase sorriso que lhe fez dormir cheia. Preenchida de sopa e vida.
Já era tarde, quase escurecendo. Um sentimento profundo surgiu no momento que lembrou que era dia das mães. A tristeza era mais por ter passado o dia inteiro sem ter a menor ideia disso. Esquecera completamente. Não que isso tivesse algum dia importância, nunca suas crianças ligavam , nem mesmo ela se importava. A não ser quando a data precisou ser festejada. Isso deve ter acontecido uns dois anos antes dos meninos se misturarem com o mundo. Não percebeu ela o verdadeiro significado daqueles presentes caros comprados com o próprio dinheiro dos rebentos. Se limitou a ficar orgulhosa de sua criação ou a admirar os badulaques. Mas devem mesmo ter sido caros, pensava ela agora se sentido idiota por sua ingenuidade.
As viagens, as pressas do dia a dia, as conversas em que levava a serio os conselhos de seres tão pequenos. Tudo é tão importante quando isso não é percebido.
Guardava até poucos anos antes no canto da sala os brinquedos antigos. As vezes sem perceber arrumava-os quase como se quisesse brigar por tamanha arrumação.
Pensou que poderia chorar com essas lembranças, mas fora interrompida pela empregada com sua sopa rala e o pão duro. O jantar combinava com suas distrações de lembrar e extrair tristeza do melhor de sua vida. Sendo essa lucidez a mas cruel que restava.
Ser mãe era o melhor que tinha feito . Nem os amores perdidos, nem a profissão brilhante que se desfez em poucas tentativas. Qualquer coisa não fariam ela estar pensando a cada colher de sopa com o pão mordido. Poderia agora chorar. Mas ninguém veria. E ela sabia como era difícil de engolir quando chorava, e não poderia desperdiçar seu apetite fraco e a pouca chance dele coincidir com os horários das refeições.
Que felicidade poder lamentar pela falta de algo. A tristeza de não ter mais era a grandeza que precisava para terminar a comida com um quase sorriso que lhe fez dormir cheia. Preenchida de sopa e vida.
segunda-feira, maio 07, 2007
O belo peixe devorado pela grandeza assassina
E foi então que senti uma vontade desesperada de chorar. Não amigo nada aconteceu, mas é exatamente nesta ausência de fatos que recosta minha tristeza. Não, meu pai não morreu, ele permanece tão vivo quanto cruel, mas não é sua crueldade que quero chorar.
Senti a dor do que não se entende. Não há com o que se preocupar, pois nada existe. Contudo choro, e não sei explicar. Foge de mim qualquer possibilidade de dizer, ou mesmo fazer perceber, apenas a lágrima que escondi poderia demonstrar alguma coisa acontecendo, mas ela já passou.
É a ausência de razão a fonte maior de minha desgraça. E se eu for tentar te escrever como senti esta bigorna caindo em minha cabeça você certamente riria, como se estivesse vendo um desenho animado que debocha da vingança.
Mas entristeci por ler o que me instiga. Apenas conheci um prazer a mais, e isso não coube dentre de mim, e a bigorna feriu minha percepção, e esqueci por segundos a razão pela qual as pessoas entristecem. E te evoquei para em seu bom senso desabar minha loucura.
Quero te pedir desculpas por isso, mas é que preciso te dizer que chorei porque fiquei feliz. Perdão por favor, por fazer isso com você, mas aconteceu.
Apenas a você vou mostrar ela, pois rezarei para que meu anjo não nos ouça sussurrar esta minha luz cinzenta de agora, pois ele teria esta minha insensatez como sufrágio a seu amor por mim. Que ele não venha, pois se isto acontecer eu jamais conseguirei te falar desta dor que toma meus momentos eufóricos. Ele não veio, louvemos amigo, ele não veio, e agora vou tentar te falar do que senti.
Não sei como, mas meu peito latejou, e meus olhos pesaram na imagem do belo peixe que desliza suavemente no oceano pacífico no instante de seu sepultamento na barriga de um tubarão. O belo devorado. Foi quando na agilidade de um movimento de cauda nas águas que toda leveza foi levada embora e restou uma linha vermelha que rapidamente se dissipa no mar, o rastro vermelho que acompanha aquele peso que carrego em meu âmago.
Sabe o que mais me angustia? É sentir esta tristeza, é saber que inevitavelmente o belo peixe foi devorado, e que isso vai acontecer quantas vezes um peixe resolver deslizar pelas calmas águas de minha alma, aquele peso virá não sei de onde e devorará o que poderia estar me fazendo feliz. Ah, esta felicidade que em poucos segundos eu consigo desfrutar.
Asseguro-te amigo, somente assim, na imagem do belo peixe degustado pela grandeza assassina que posso tentar te falar da minha lágrima no banheiro. E só faço isso porque sei que você não saberia simplesmente me deixar chorar sem tentar me ajudar a encontrar uma razão obvia, uma solução para minha dor.
Olha amigo, não precisa me ajudar a buscar uma solução, eu nem sei se ela existe. Preciso te confessar, eu não quero soluções. Eu sou isso, um mar onde coisas inesperadas acontecem, e não tenho a menor “força de vontade” (expressão que acho patética por não possuir) para me mudar.
Senti a dor do que não se entende. Não há com o que se preocupar, pois nada existe. Contudo choro, e não sei explicar. Foge de mim qualquer possibilidade de dizer, ou mesmo fazer perceber, apenas a lágrima que escondi poderia demonstrar alguma coisa acontecendo, mas ela já passou.
É a ausência de razão a fonte maior de minha desgraça. E se eu for tentar te escrever como senti esta bigorna caindo em minha cabeça você certamente riria, como se estivesse vendo um desenho animado que debocha da vingança.
Mas entristeci por ler o que me instiga. Apenas conheci um prazer a mais, e isso não coube dentre de mim, e a bigorna feriu minha percepção, e esqueci por segundos a razão pela qual as pessoas entristecem. E te evoquei para em seu bom senso desabar minha loucura.
Quero te pedir desculpas por isso, mas é que preciso te dizer que chorei porque fiquei feliz. Perdão por favor, por fazer isso com você, mas aconteceu.
Apenas a você vou mostrar ela, pois rezarei para que meu anjo não nos ouça sussurrar esta minha luz cinzenta de agora, pois ele teria esta minha insensatez como sufrágio a seu amor por mim. Que ele não venha, pois se isto acontecer eu jamais conseguirei te falar desta dor que toma meus momentos eufóricos. Ele não veio, louvemos amigo, ele não veio, e agora vou tentar te falar do que senti.
Não sei como, mas meu peito latejou, e meus olhos pesaram na imagem do belo peixe que desliza suavemente no oceano pacífico no instante de seu sepultamento na barriga de um tubarão. O belo devorado. Foi quando na agilidade de um movimento de cauda nas águas que toda leveza foi levada embora e restou uma linha vermelha que rapidamente se dissipa no mar, o rastro vermelho que acompanha aquele peso que carrego em meu âmago.
Sabe o que mais me angustia? É sentir esta tristeza, é saber que inevitavelmente o belo peixe foi devorado, e que isso vai acontecer quantas vezes um peixe resolver deslizar pelas calmas águas de minha alma, aquele peso virá não sei de onde e devorará o que poderia estar me fazendo feliz. Ah, esta felicidade que em poucos segundos eu consigo desfrutar.
Asseguro-te amigo, somente assim, na imagem do belo peixe degustado pela grandeza assassina que posso tentar te falar da minha lágrima no banheiro. E só faço isso porque sei que você não saberia simplesmente me deixar chorar sem tentar me ajudar a encontrar uma razão obvia, uma solução para minha dor.
Olha amigo, não precisa me ajudar a buscar uma solução, eu nem sei se ela existe. Preciso te confessar, eu não quero soluções. Eu sou isso, um mar onde coisas inesperadas acontecem, e não tenho a menor “força de vontade” (expressão que acho patética por não possuir) para me mudar.
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