Tem alguma coisa que, silenciosamente, continua sobrevivendo. Ela está lá. Enquanto trabalham, comem, dormem, ninguém repara nela. Contudo alguma coisa, ainda que ninguém perceba, permanece enquanto os demais vivem. Ela cresce com tudo que é vivo. Não precisa de mais de um minúsculo grão de sua fertilizante essência para brotar. Talvez a derrota mais sangrenta te faça sentir o tom fugaz que ela possui. Mas não acredito que alguém um dia possa tocá-la, ela é distante, não quer ser vista. É tímida, medrosa, mas garanto que é realmente uma flor. Ela é um pouco triste, mas também faz sorrir. E ninguém sabe do que possui, talvez nem possua nada. Não se sabe sobre seu valor, não se sabe qual sua utilidade, nada se sabe sobre ela, apenas uma pequena sensação de sua existência, mas mesmo disso se tem dúvidas.
É quase um alívio o que sua serenidade traz, quase um conforto. Como se essa sensação de sua existência oferecesse para quem sente um consolo, como se a vida se justificasse na idéia da existência dela, por isso se faz tanta força para percebê-la, mas em muitas vezes chego a ter certeza que ela não passa de uma ilusão, às vezes consigo viver com isso, às vezes me drogo com ideologias estúpidas. Contudo, de tempos em tempo posso senti-la nitidamente, como se eu estivesse de olhos fechados sendo beijada sem pedir. Às vezes posso afirmar que foi ela quem me procurou e não eu que a procurei. Andando na rua em meio à multidão, de olhos distraídos, sem prestar atenção em nada, posso sentir seu perfume se sobrepondo àqueles fragmentos de metal no ar, é como a flor que brota no asfalto do chão da capital, contudo não é cor nem forma que se percebe, é um perfume fugaz que aparece e sem despedida se esvai.
Nos dias frios penso muito nela, às vezes tento chamá-la, nada adianta, então tento dormir, pois sei que o sono é a única coisa que se assemelha a sua natureza onírica.
É quase um alívio o que sua serenidade traz, quase um conforto. Como se essa sensação de sua existência oferecesse para quem sente um consolo, como se a vida se justificasse na idéia da existência dela, por isso se faz tanta força para percebê-la, mas em muitas vezes chego a ter certeza que ela não passa de uma ilusão, às vezes consigo viver com isso, às vezes me drogo com ideologias estúpidas. Contudo, de tempos em tempo posso senti-la nitidamente, como se eu estivesse de olhos fechados sendo beijada sem pedir. Às vezes posso afirmar que foi ela quem me procurou e não eu que a procurei. Andando na rua em meio à multidão, de olhos distraídos, sem prestar atenção em nada, posso sentir seu perfume se sobrepondo àqueles fragmentos de metal no ar, é como a flor que brota no asfalto do chão da capital, contudo não é cor nem forma que se percebe, é um perfume fugaz que aparece e sem despedida se esvai.
Nos dias frios penso muito nela, às vezes tento chamá-la, nada adianta, então tento dormir, pois sei que o sono é a única coisa que se assemelha a sua natureza onírica.