segunda-feira, maio 07, 2007

O belo peixe devorado pela grandeza assassina

E foi então que senti uma vontade desesperada de chorar. Não amigo nada aconteceu, mas é exatamente nesta ausência de fatos que recosta minha tristeza. Não, meu pai não morreu, ele permanece tão vivo quanto cruel, mas não é sua crueldade que quero chorar.

Senti a dor do que não se entende. Não há com o que se preocupar, pois nada existe. Contudo choro, e não sei explicar. Foge de mim qualquer possibilidade de dizer, ou mesmo fazer perceber, apenas a lágrima que escondi poderia demonstrar alguma coisa acontecendo, mas ela já passou.

É a ausência de razão a fonte maior de minha desgraça. E se eu for tentar te escrever como senti esta bigorna caindo em minha cabeça você certamente riria, como se estivesse vendo um desenho animado que debocha da vingança.

Mas entristeci por ler o que me instiga. Apenas conheci um prazer a mais, e isso não coube dentre de mim, e a bigorna feriu minha percepção, e esqueci por segundos a razão pela qual as pessoas entristecem. E te evoquei para em seu bom senso desabar minha loucura.

Quero te pedir desculpas por isso, mas é que preciso te dizer que chorei porque fiquei feliz. Perdão por favor, por fazer isso com você, mas aconteceu.

Apenas a você vou mostrar ela, pois rezarei para que meu anjo não nos ouça sussurrar esta minha luz cinzenta de agora, pois ele teria esta minha insensatez como sufrágio a seu amor por mim. Que ele não venha, pois se isto acontecer eu jamais conseguirei te falar desta dor que toma meus momentos eufóricos. Ele não veio, louvemos amigo, ele não veio, e agora vou tentar te falar do que senti.

Não sei como, mas meu peito latejou, e meus olhos pesaram na imagem do belo peixe que desliza suavemente no oceano pacífico no instante de seu sepultamento na barriga de um tubarão. O belo devorado. Foi quando na agilidade de um movimento de cauda nas águas que toda leveza foi levada embora e restou uma linha vermelha que rapidamente se dissipa no mar, o rastro vermelho que acompanha aquele peso que carrego em meu âmago.

Sabe o que mais me angustia? É sentir esta tristeza, é saber que inevitavelmente o belo peixe foi devorado, e que isso vai acontecer quantas vezes um peixe resolver deslizar pelas calmas águas de minha alma, aquele peso virá não sei de onde e devorará o que poderia estar me fazendo feliz. Ah, esta felicidade que em poucos segundos eu consigo desfrutar.

Asseguro-te amigo, somente assim, na imagem do belo peixe degustado pela grandeza assassina que posso tentar te falar da minha lágrima no banheiro. E só faço isso porque sei que você não saberia simplesmente me deixar chorar sem tentar me ajudar a encontrar uma razão obvia, uma solução para minha dor.

Olha amigo, não precisa me ajudar a buscar uma solução, eu nem sei se ela existe. Preciso te confessar, eu não quero soluções. Eu sou isso, um mar onde coisas inesperadas acontecem, e não tenho a menor “força de vontade” (expressão que acho patética por não possuir) para me mudar.

2 comentários:

Anônimo disse...

A beleza pode doer, a tristeza pode ser redenção. Você é minha melhor amiga, sem duvida, e se eu não entedesse isso não poderia estar do teu lado.

Thalita Covre disse...

nossa!
voce está escrevendo bem senhorita Natali!