Por todos os mundos que eu viajar em minha vida,
Sempre me lembrarei de Vitória.
Vitória suja, mesquinha e provinciana,
Vitória castigando seus filhos boêmios;
Vitória me pedindo pra ficar por mais dez anos
Tão iluminada, e nada para se ver,
Ilha-prisão, pó de minério,Oh!
Minha Alcatraz! Tenho medo de suas mãos nojentas.
Da água contaminada que escorre da Pedra Azul
Eu bebi galões inteiros,
E agora sei que aqueles vermes não eram uma alucinação.
Vitória, é muito difícil para mim
Conseguir sexo em suas ruas e eu não tenho dinheiro algum.
Gastei meu ultimo real naquela noite
Em que você me deixou na rua às 3 da manhã.
Vadiando na lama, minha camisa cheirando à esgoto.
Agora, dou-te lirismo puro:
Vitória,
Meus dedos delicados de querubim
Uma vez tocaram sua terra úmida
No local onde anjos negros foram enterrados,
Seus mortos são meus mortos
E eu delicadamente imploro
Que você os deixe beijar-me nos olhos
Para que sua memória fique em mim
Como uma marca de batom cinza-escuro
E desapareça aos poucos como a paixão em meu corpo.
Vitória,
Eu te deixo esses versos, mas eu não te amo.
Nos meus sonhos, tu és uma víbora
Que me ameaça com um veneno doloroso;
Em meus sonhos,
Vitória,
Você afunda no oceano fecal que começa em Camburí.
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Um comentário:
amo esta poesia!
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