sábado, abril 28, 2007

O Estrangeiro

Às vezes me invade como o exército alemão marchando sobre Paris quando estou triste;
Às vezes é pura escuridão, em seu silêncio sagrado.
Às vezes é como fazer sexo num dia de chuva;

Às vezes são dez mil olhos me observando de todas as paredes;
Às vezes é só a TV;
Às vezes é cuspir ódio pela ascensão de um novo ditador no Congo;

Às vezes é desconfiança;
Às vezes é celebração;
E às vezes é dor;

Às vezes me procura como um braço decepado atrás do resto do corpo;
Às vezes me abandona como uma ex-dona de casa livre para a vida;
Às vezes me atrai como a inocência que atrai o pedófilo;

Às vezes são crisântemos amarelos;
Às vezes é uma orquídea;
Às vezes uma violeta que resplandece no outono;

Às vezes a fúria do rock’roll;
Às vezes a solidão de um blues;
Às vezes, o surrealismo de Lynch;

Às vezes eu quero esquecer;
Às vezes estou envolvido demais;
Às vezes são ruas escuras por onde me perco quando procuro por tua mão;

Toda noite a noite me diz que “isso” é apenas uma volta ao lar,
E eu carrego bombas com as quais destruirei monumentos,
Pois o lar para onde o “isso” da vida me leva
Leva muito tempo para alcançar.
Às vezes ele se parece com uma canção anarquista espanhola,
Outras vezes ele me vem como teu sorriso.
Às vezes é viver dentro de tudo e ter tudo existindo entro de mim.

2 comentários:

Thalita Covre disse...

bom rodrigo.
lendo essa poesia, ouvindo cardigans... pesado.
eu sinceramente vou começar a divulgar esse blog logo....
não é preciso dizer que eu adorei.
certo?

Natalie disse...

É preciso sim, dizer sempre o que se adora, sem medo, mas sei que você não disse isso por mal... Só pessoas sensíveis como Thalita e Rodrigo entendem o valor deste lugar!